Criminalistas, Esses Criminosos!

 

 

Hoje, pela manhã, a imprensa borbulhou com a prisão de vários advogados acusados de envolvimento com o crime organizado.

 

Vários mesmo, quase quarenta (!), incluindo o vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe).

 

Segundo a polícia, os advogados detidos seriam suspeitos de movimentar dinheiro do crime organizado em suas contas bancárias, além de criar uma espécie de banco de dados com os nomes e endereços de agentes penitenciários e de seus parentes.

 

Se forem confirmadas as suspeitas, meu juízo é um só: lamentável.

 

Igualmente lamentáveis são os inúmeros comentários postados sobre as diversas publicações da notícia em questão, em grande número equiparando, em desvalor, o advogado criminalista à ideia que se tem de crime ou criminoso.

 

Apenas como exemplo, transcrevo um trecho de um comentário de um leitor do IG:

 

"É aquilo que a gente está sempre cansado de falar para essas autoridades de merdas. ADVOGADO QUE DEFENDE BANDIDO, É MAIS BANDIDO AINDA. Veja aqui

 

No Blog do Reinaldo Azevedo, que conta com um controle razoável dos comentários, outro leitor postou o seguinte pensamento:

 

"Eis com toda pompa e circunstância a apresentação de advogados criminalistas, fulaninhos que dão todo apoio aos seus sócios, que cometem crimes ao seu bel prazer, sabendo que contam com a defesa de “doutos senhores”, formados em faculdades de “direito”, caminhando exatamente na direção contrária do que prevêem a honestidade, moral e ética defendidas como os principais fundamentos de bons seres humanos.

Claro, os oabistas vão se calar, sair de fininho pela porta dos fundos para evitarem comentários a propósito dessa situação, por trás da qual devem se esconder assassinatos e assaltos relatados pela imprensa. E notem que esses vagabundos com diploma nas mãos até elaboraram listas de agentes penitenciários para serem executados. Fazer o quê com esse lixo com diplomas nas mãos? Desgraçadamente não temos pena de morte neste país. Um pelotão de fuzilamento seria o mínimo a ser proposto para essa gente e seus “digníssimos clientes”. Lixo, do lixo do lixo!!!"

(in:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/operacao-ethos-prende-33-suspeitos-de-colaboracao-com-pcc/).

 

Com todo o respeito que os comentaristas não demonstraram: são uns estúpidos!

 

Tomam o todo pela parte, e quão diminuta parte! (Des)Entendem que por manter contato com acusados ou criminosos, também assim os advogados devem ser encarados.

 

Faltou ler Rui Barbosa!

 

Faltou ler Evaristo de Morais, a Constituição Federal, o Código de Processo Penal, a Bíblia, a Torá, o Regulamento do Condomínio ou qualquer pedaço de papel que denote um mínimo de racionalidade sobre o espaço e função de cada um na sociedade.

 

Confundir criminalista com o crime é dizer que o lixeiro é o lixo, que o médico é o câncer, que o padre e o pecador, enfim, são iguais.

 

Não venha me dizer que estes possuem apenas contato com o mal, que o combatem, ao passo que o criminalista lhe proporcionaria refúgio.

 

Na verdade, se o lixeiro recolhe, se o médico enfrenta e se o padre se limita a perdoar, o criminalista entende - ou ao menos busca entender - um fato do mundo para o qual todo mundo vira as costas.

 

O contato com o crime, com o criminoso, no entanto, é consequência... não razão de ser da Profissão.

 

O objetivo, o motivo pelo qual um estudante decide que quer advogar e não ser juiz ou promotor ou delegado, o que dá vontade de ir além, de se tornar criminalista e lidar com lágrimas, sangue, raiva, frustrações e alegrias... é o amor.

 

Amor ao próximo, à humanidade e suas circunstâncias, mas, principalmente, à Lei.

 

Ser Criminalista é isso, é amar a Lei.

 

Um amor doido, cego, intransigente e incondicional, a ponto de se brigar pela sua validade em todo e qualquer caso, mesmo naqueles mais horrendos.

 

A mesma Lei do Frei Beto tem que ser a do Maníaco do Parque, com todas as garantias, com todos os detalhes e, se a Lei for descumprida, desrespeitada, então não vale... Simples assim!

 

A absolvição de culpados não é um objetivo, mas o efeito colateral do império da Lei do Direito contra a Lei do Mais Forte, valendo lembrar que cabe ao criminalista, quando chamado a fazê-lo, também a defesa da vítima.

 

Quem não gosta, quem não entende e mistura lixo com lixeiro é gente cujo pensamento não cheira bem e que, como tantas vezes acontece, costuma bater às nossas portas pelas piores razões possíveis.

 

Com a maior cara de pau do mundo!

 

 

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